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Como o Brasil está usando IA para resolver problemas que os países ricos não têm

Da detecção de doenças tropicais ao monitoramento de desmatamento, a inteligência artificial brasileira está sendo desenvolvida para problemas que os grandes centros de pesquisa global simplesmente não priorizam.
PN
Priya Nair — IA e Govtech
28.06.2025 · 10 min de leitura

Quando pesquisadores do laboratório de IA da USP desenvolveram um modelo de detecção de dengue baseado em imagens de satélite, não encontraram nenhum modelo pré-treinado para usar como base. Os grandes laboratórios de IA do mundo — Google, OpenAI, Meta — não tinham construído nada para esse problema. Tiveram que começar do zero.

Esse é o paradoxo da IA no Brasil: o país tem alguns dos problemas mais complexos e urgentes do mundo, mas os recursos de IA disponíveis foram desenvolvidos para resolver os problemas dos países ricos.

Onde o Brasil está inovando

Identificamos cinco áreas onde pesquisadores e startups brasileiras estão desenvolvendo soluções de IA que não existem em nenhum outro lugar do mundo:

1. Monitoramento ambiental: O INPE usa IA para monitorar o desmatamento da Amazônia em tempo quase real. O sistema detecta alertas de desmatamento com resolução de 30 metros e latência de 24 horas — tecnologia que está sendo licenciada para outros países tropicais.

2. Doenças tropicais: Startups como a BioAI estão desenvolvendo modelos de diagnóstico para leishmaniose, doença de Chagas e dengue — doenças que afetam centenas de milhões de pessoas no Sul Global mas recebem investimento mínimo de pesquisa global.

"A IA que o mundo rico desenvolve resolve os problemas do mundo rico. Nós precisamos desenvolver a nossa própria." — Pesquisadora de IA, Universidade de São Paulo

Os desafios

O principal obstáculo é o financiamento. O Brasil investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento — menos da metade do que países como Coreia do Sul e Alemanha. A fuga de talentos para empresas americanas e europeias é um problema crescente: estima-se que 40% dos pesquisadores de IA formados em universidades brasileiras estejam trabalhando no exterior.